O ecossistema de Startups cresceu. Escalar continua sendo o problema

16 de março de 2026

por Redação The Shift

O ecossistema de Startups cresceu. Escalar continua sendo o problema

Nada como 145 slides lotados de dados para entender o rumo que o ecossistema de capital de risco para startups de tecnologia deve tomar em 2026. O relatório de final de ano da Carta “State of Startups 2025”, publicado há pouco mais de uma semana, é uma janela com vista panorâmica para o modelo mental e apetite de investimentos do setor.

Foram analisados dados de mais de 60 mil startups e 3 mil fundos de capital de risco que utilizam a plataforma de gestão da Carta. Embora todas as análises sejam sobre o cenário norte-americano, é importante entender que o ecossistema se movimenta a partir dos sinais do epicentro (EUA), portanto, há insights valiosos sobre o “mood” do setor.

Para a Carta, os dados sugerem que estamos em uma “aceleração” da recuperação tradicional do venture capital, desde o estouro da bolha em 2022 (gráfico abaixo). Mas é um movimento em duas velocidades: há um grande fluxo de investimentos para startups “mais visíveis” – sim, você já entendeu que são as startups de IA –, deixando para as outras o peso de trabalhar mais para atrair a atenção do capital. Agora há menos rodadas, mas mais dinheiro por round (especialmente se você for uma startup de IA).

IA atravessa todos os setores

As startups de IA capturaram 44% de todo o capital inicial investido em startups nos EUA em 2025, alcançando avaliações recordes para as empresas envolvidas (gráfico abaixo).

Aí há uma informação que merece atenção: quando uma bolha estoura, como a do investimento de risco que saltou em 2021 e caiu a partir de 2022 para nunca mais ser o mesmo, o movimento do mercado é de não repetir erros e agir com cautela. Mas esse não é o caso: o ciclo de hype da IA que começou em 2023 ​​impulsionou o setor de volta à aceleração em grupo.

A grande dúvida é se a IA é um salto realmente diferente do que vimos no passado. Além do hype, há um elemento de atratividade que “coça os dedos” dos investidores: a velocidade com que uma startup de IA sai do zero para atingir uma receita anual de US$ 1 bilhão. Enquanto a OpenAI, que já pode ser considerada uma decana no setor, precisou de oito anos para chegar ao número mágico, a Anthropic levou apenas dois anos e a Cursor levou três. Para comparar, vale mencionar que empresas consagradas como Salesforce e Snowflake levaram dez anos para atingir US$ 1 bilhão em receita.

Outro diferencial: a IA está presente em praticamente todas as verticais de negócio, de biotechs a SaaS, o que causa uma certa “democratização” do acesso ao capital, e consolida a ideia de que a IA é uma tecnologia transformadora de uso geral. Nas rodadas seed, por exemplo, quem tinha a palavra mágica no seu pitch deck ficou com uma parte do dinheiro de 2025 (gráfico abaixo). Nessas negociações, a regra foi: valuation mais alto, mais dinheiro entrando e menos rodadas.

O que há, para além da IA?

Embora a IA domine a conversa, há outras descobertas interessantes dos dados que merecem destaque, e que listamos a seguir, com a recomendação de que se você faz parte desse ecossistema ou quer entender como ele se desdobra em 2026, os 145 slides merecem sua atenção.

  • O fim da estrela solitária: startups com apenas um founder continuam abundando (foram 35% das startups em 2024), mas os VCs estão dando preferência, no investimento, a startups que tenham duas pessoas no seu cap table (34% das que captaram investimento).
  • Demissões caíram: do pico de quase 20 mil demissões em 2023, as saídas caíram para 7,5 mil em 2025. O número de saídas voluntárias, por outro lado, foi de pouco mais de 11 mil em 2025, mostrando que há um grande tráfego de talentos acontecendo nas startups.
  • Contratações são seletivas: os times estão ficando cada vez mais enxutos ano após ano, em todos os estágios (de seed a Series B). Startups de hardware são as que contratam mais. Do ponto de vista de salários, no entanto, os valores estão ficando maiores ano após ano.
  • Liquidez, na falta de IPOs: o mundo dos VCs achou um caminho alternativo nos M&As para garantir saídas e liquidez para seus fundos. Os dados da Carta mostram que os três trimestres de 2025 tiveram recordes consecutivos de fusões. Foram 200 no 3° trimestre, mas ainda não há dados sobre 4° trimestre.

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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