Primeiro ano da NBR 17225 de acessibilidade digital foi de conscientização

11 de março de 2026

por Roberta Prescott

Primeiro ano da NBR 17225 de acessibilidade digital foi de conscientização

A acessibilidade na web é um direito de todos e o caminho para que qualquer cidadão possa acessar aos serviços na internet para exercer a sua cidadania. A mensagem foi reforçada diversas vezes durante a Conferência de Acessibilidade Digital – Todos na Web, uma iniciativa do Ceweb.br, realizada nesta quarta-feira (11/3) em São Paulo, capital. O evento comemorou um ano do lançamento da NBR 17225, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que estabeleceu requisitos e recomendações para acessibilidade digital no Brasil, alinhada à WCAG 2.2.
 

Em sua fala na abertura da conferência, Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br, ressaltou que a internet dá a todos os indivíduos a capacidade de participar. “Estamos comemorando um ano da norma que traz mais gente para essa participação”, disse Getschko. “A acessibilidade na web é um direito de todos e está no caminho para que todo cidadão possa acessar aos serviços na internet para exercer a sua cidadania”, completou Eleidimar Odilia, diretora do Departamento de Serviços Públicos Digitais do Ministério da Gestão e da Inovação. 
 

No ministério, Odilia apontou que isso se reflete no esforço de regulamentação e em fornecer meios para gestores públicos colocarem a inclusão da acessibilidade digital. “Porque, se colocarmos serviços que não estão acessíveis a todas as pessoas, eles não estão prontos”, explicou a diretora.


Para ela, falta ampliar a consciência na aplicação dos instrumentos de inclusão, sendo necessário enxergar a acessibilidade como uma porta para acesso à cidadania. “Todas as pessoas estão conseguindo passar por essa porta? Hoje sabemos que não; e, enquanto isso não acontece, estamos fechando porta para o exercício da cidadania de algumas pessoas”, resumiu.


Para Hartmut Glaser, secretário-executivo do CGI.br, facilitar o acesso a quem tem alguma limitação para acessar à internet significa inclusão social, uma vez que “deficiência não pode significar exclusão, principalmente, na internet que é uma ferramenta para incluir pessoas, fomentar comércio e o relacionamento entre seres humanos”.


A norma 17225 tem como objetivo eliminar barreiras. “Acessibilidade digital não é apenas questão técnica, mas humana também”, apontou Glaser, para quem ainda falta maior pressão da sociedade para adesão e acesso à norma e à lei.
 

Construção da NBR 17225
A Norma ABNT 17225 complementa a norma anterior NBR 17060, de 2022, e que foca na acessibilidade em aplicativos. Reinaldo Ferraz, especialista em padrões web e em acessibilidade na web no W3C Chapter SP e Ceweb.br|NIC.br, explicou que a NBR 17225 foca na conformidade com padrões internacionais, já que traduz documentos extremos.


O processo para a criação da norma teve a primeira reunião em outubro de 2022 e, depois de elaborada a partir de discussões de grupo com cerca de 130 pessoas, foi à consulta nacional quando respondeu a questionamentos apontados na ocasião. “Tivemos participação de pessoas com diversidade em todo o processo, o que ajudou no resultado da norma e no seu impacto”, destacou Ferraz.  


No primeiro ano de vigência, o foco esteve na conscientização e na apresentação da norma, mostrando que é simples de ser seguida, segundo o especialista em padrões de acessibilidade do Ceweb. “Tenho sonho de que a norma comece efetivamente a ser usada em políticas públicas e que seja uma exigência real, tanto para sites de governo como de empresas privadas”, assinalou Ferraz.
 

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