Inovação aberta no Brasil já virou método. Falta virar escala

02 de março de 2026

por Redação The Shift

Inovação aberta no Brasil já virou método. Falta virar escala

A inovação aberta (Open Innovation) no Brasil avança e as práticas das empresas que adotaram o modelo revelam um ecossistema em consolidação. Um mapeamento recente do cenário, feito pela Sling Hub em parceria com a Torq, mostra que a maioria (73%) possui programas estruturados em inovação aberta, com orçamentos recorrentes, e pelo menos 76% planejam manter ou ampliar investimentos até 2027.

 

Um terço (33%) das empresas mantém programas contínuos de colaboração com startups, o que posiciona o Brasil como laboratório estratégico de inovação, principalmente em áreas como Inteligência Artificial, automação, eficiência operacional e transição energética, todos temas que vão dominar a próxima onda de colaboração e transformação.

 

As grandes corporações predominam: 57% das empresas têm mais de 10 mil funcionários, e 75% têm presença local, segundo o relatório. Das 87 corporações identificadas, 65 operam a partir do Brasil, “fazendo do país o centro gravitacional das práticas de colaboração entre grandes empresas e startups”. 

 

Mas falta escalar o modelo para as PMEs. A maioria (95%) das organizações que investem em inovação aberta possui mais de 1.000 funcionários, ou seja, existe um enorme potencial de crescimento.

 

Relacionamento maduro com startups

 

O dado mais expressivo do relatório talvez seja este: a inovação aberta no Brasil não acontece de forma isolada – ela é multicanal e simultânea. Entre as empresas respondentes:

  • 91% realizam POCs com startups
  • 85% contratam soluções prontas
  • 82% firmam parcerias comerciais
  • 76% mantêm programas estruturados (aceleração, desafios, corporate venture building)
  • 61% investem diretamente ou via CVC

 

O relacionamento com startups é multiforme, contínuo e estratégico. O levantamento revela que as corporações brasileiras usam todas as ferramentas disponíveis – da experimentação ao investimento – para inovar junto ao ecossistema de startups.

 

 

Ecossistema com eixo dominante SP-RJ-MG

 

De acordo com dados do estudo, o Brasil lidera a inovação aberta na América Latina, mas tem forte concentração regional. Entre as empresas brasileiras com iniciativas de inovação aberta:

  • 46% estão em São Paulo (30 de 65)
  • 15% no Rio de Janeiro
  • 11% em Minas Gerais

 

Somados, esses três estados representam 72% das iniciativas nacionais, reforçando o papel do Sudeste como a “capital corporativa” da inovação aberta. A presença, porém, não se limita ao eixo tradicional: Distrito Federal (8%), Santa Catarina (6%) e Rio Grande do Sul (5%) formam um segundo bloco relevante, enquanto Ceará, Maranhão e Paraíba aparecem como polos emergentes, indicando um início de descentralização.

 

 

 

A maturidade das empresas ajuda a consolidar a prática de inovação aberta. Mais de dois terços (73%) das empresas são organizações de grande porte, com estruturas naturalmente mais preparadas para sustentar programas robustos e orçamento e governança dedicada, enquanto 24% ainda rodam apenas POCs e pilotos pontuais. Apenas 9% estão em fase de estruturação.

 

Ou seja: o Brasil já superou o ciclo experimental. A inovação aberta tornou-se estratégica, processual e institucionalizada nas empresas.


 

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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