Quando a IA vira colega de trabalho, quem manda em quem?

26 de fevereiro de 2026

por Redação The Shift

Quando a IA vira colega de trabalho, quem manda em quem?

A adoção da IA Agêntica começa a pressionar lideranças empresariais. O motivo? Conflitos de gestão inéditos, derivados de quatro tensões estruturais que, segundo o mais recente estudo do MIT em parceria com o BCG, já estão remodelando decisões, processos e responsabilidades nas organizações.

 

O relatório não apenas identifica essas quatro tensões: ele mostra como elas já se manifestam no dia a dia operacional e estratégico, obrigando líderes a fazer escolhas que antes simplesmente não existiam. Entendê-las em profundidade é o primeiro passo para antecipar o que realmente vai mudar nas organizações.

 

A primeira tensão é o atrito entre escalabilidade e adaptabilidade. Ferramentas escalam; pessoas improvisam. Agentes fazem as duas coisas – e é aí que os processos rígidos colapsam. Cada avanço operacional revela uma necessidade de redesenho mais profundo.

 

A segunda tensão desmonta o modelo financeiro atual. Agentes depreciam como tecnologia. Ganham valor com uso, mas exigem manutenção contínua. O ROI tradicional não captura essa dualidade. E decisões de investimento passam a ser apostas de tempo, não apenas de custo.

 

A terceira tensão é de governança: quem decide o quê quando um sistema autônomo começa a participar de decisões antes humanas? A fronteira entre autonomia e supervisão se desfaz, e modelos híbridos (human-in e human-out) tornam-se inevitáveis, porém instáveis.

 

A quarta tensão é estratégica: retrofitar processos legados ou redesenhá-los do zero? A presença da IA Agêntica expõe gargalos invisíveis e força escolhas difíceis. Ganhos rápidos ou transformação estrutural? Para muitas empresas, fazer meia reforma já não basta.

 

Essas tensões não são efeitos colaterais da tecnologia: são o núcleo da mudança. Agentes de IA não se comportam como ferramentas nem como funcionários. São colegas artificiais, atravessando funções antes isoladas: trabalho, decisão, autoridade, treinamento, investimento, accountability.

 

Por isso o estudo é categórico: nenhuma área (nem TI, nem RH, nem Finanças) consegue governar agentes de IA sozinha. Isso porque eles atravessam simultaneamente elementos que antes eram tratados em silos: desenho de trabalho, direitos de decisão, autoridade, accountability, treinamento, investimento e governança.

 

O relatório aponta para algo mais profundo do que “adotar IA”: as empresas terão de se reconfigurar para operar com um novo tipo de ator em seus fluxos. O que implica redesenhar estruturas, papéis, processos e até as fronteiras entre as áreas. Em outras palavras, a IA Agêntica não se encaixa na organização atual. Ela exige uma organização diferente.A pergunta que o MIT/BCG deixa no ar é simples e decisiva: sua empresa está adotando uma tecnologia – ou incorporando um novo ator não humano na operação? A resposta a isso, e não a velocidade de implantação, definirá quem irá liderar a próxima década.

 

 

Um total de 2.102 respondentes, abrangendo 21 setores e 116 países, participaram da pesquisa, e os resultados revelam que a IA Agêntica está emergindo rapidamente nas empresas: 35% das organizações já começaram a utilizá-la; e outras 44% planejam adotá-la em breve. Por outro lado, 47% indicam que ainda não possuem uma estratégia definida.

Para entender como essas quatro tensões estão redesenhando modelos operacionais, carreiras, hierarquias e a própria lógica da gestão, leia a análise completa no site da The Shift.

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