O Brasil finalmente aprendeu a contar - agora precisa aprender a concluir

02 de fevereiro de 2026

por Redação The Shift

O Brasil finalmente aprendeu a contar - agora precisa aprender a concluir

O Brasil está aprendendo que, em C&T e em P&D, medir é mais do que contabilizar números. Após duas décadas de dados dispersos por diferentes relatórios, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou a edição mais completa dos Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação – e o retrato é tão consistente quanto inquietante: sabemos quanto investimos, mas ainda não sabemos com clareza o que funciona.

Os dados mais recentes são de 2023, com pouco ou nenhuma estatística disponível sobre 2024 e 2025. Em 2023, nosso país investiu R$ 150,9 bilhões em C&T, sendo R$ 130,6 bilhões em P&D – cerca de 1,19% do PIB, estável há uma década. O setor empresarial respondeu por quase metade do esforço nacional, mas o impacto econômico e social da pesquisa ainda é difuso. Até 2024, foram depositados 27.701 pedidos de patentes no INPI, por exemplo, dos quais menos da metade (12.914) foram concedidos.

 

 

Esse diagnóstico está movendo o MCTI a reconfigurar a infraestrutura de informação do país. O Pacto Nacional dos Indicadores Estaduais de CT&I, lançado em setembro, destina R$ 13,36 milhões para que cada estado brasileiro tenha um cientista de dados dedicado à mensuração de inovação. Esses profissionais alimentarão a Rede Nacional de Indicadores Estaduais de CT&I, coordenada pelo MCTI em parceria com o Consecti e o Confap, como descreve a Fapesp. Pela primeira vez, será possível comparar dados regionais com metodologia unificada e planejar com base em evidências.

Em paralelo, o Comitê da Lei do Bem foi reestruturado para destravar incentivos fiscais e dar retorno técnico às empresas que investem em P&D. É o outro lado da mesma moeda: se o pacto cria inteligência pública, a Lei do Bem gera inteligência empresarial. Juntos, eles conectam métrica e resultado, e inauguram uma nova governança de inovação. 

O terceiro eixo dessa virada é a Ciência Aberta, agora tratada como política nacional. Ao abrir dados e integrar plataformas, o Brasil se alinha a práticas globais que transformam conhecimento em impacto mensurável – como o Genomics England, que acelerou decisões de saúde pública com dados abertos durante a pandemia.

Para a liderança de inovação, esse movimento significa acesso a dados mais limpos, comparáveis e utilizáveis – e, portanto, decisões mais precisas sobre onde investir, cooperar e inovar. A métrica, antes ferramenta burocrática, torna-se vantagem competitiva. O impacto virá se o dado circular. Governança, interoperabilidade e cultura de uso serão os verdadeiros indicadores de sucesso dessa transição. 

Os Indicadores mostram onde estamos. A Rede Nacional de Indicadores Estaduais mostra como podemos agir. O desafio – e a oportunidade? Conectar ambos para medir impacto. Alguns ecossistemas locais já mostram o que pode acontecer quando dados e prática se encontram. Detalhes no artigo publicado no site da The Shift.


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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