Empregos verdes: o futuro chegou… mas está preso no trânsito

28 de janeiro de 2026

por Redação The Shift

Empregos verdes: o futuro chegou… mas está preso no trânsito

A transição para a Economia Verde deve criar mais de 24 milhões de empregos até 2030. Essa era a projeção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2018, o que nos levaria a deduzir hoje que esse número pode crescer nos próximos cinco anos. Afinal, em um mercado acirrado com demissões volumosas, os profissionais com habilidades verdes (green skills) têm 46,6% mais chances de serem contratados. Mas, como tudo nestes tempos voláteis e complexos, a matemática não é simples.

O ritmo acelerado da demanda por habilidades verdes representa mais do que o dobro da velocidade da formação de novos talentos, de acordo com o relatório “2025 Global Green Skills” do LinkedIn, que será publicado esta semana. O estudo aponta que a contratação de profissionais com “green skills” cresceu 7,7% entre 2024 e 2025, enquanto a oferta de profissionais com esse perfil aumentou 4,3%.

Acontece que a atividade de contratação caiu em relação aos 11,5% do ano anterior, assim como aconteceu com a oferta de empregos, que havia ficado em 5,5% em 2023. Isso significa que, embora a diferença entre oferta e demanda tenha diminuído para 3,4%, os dados indicam que essa redução foi impulsionada por uma demanda mais fraca por talentos verdes, e não por um aumento no número de pessoas qualificadas.

O relatório do LinkedIn mostra que o crescimento da demanda desacelerou, caindo 3,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior, enquanto o crescimento da oferta diminuiu 1,2 ponto percentual. As vagas na área de Sustentabilidade Corporativa diminuíram 0,4%, marcando a primeira queda nas contratações em Sustentabilidade desde 2021.

 

Para complicar mais o cenário dos empregos verdes, o relatório alerta que o acesso a habilidades e empregos na área de Sustentabilidade parece estar fora do alcance de muitos trabalhadores. Mais de um terço dos profissionais ouvidos na pesquisa afirma que gostaria de um emprego que contribua para a transição energética ou mitigação dos efeitos da crise climática.

O interesse em empregos verdes sobe para 49% entre jovens profissionais da Geração Z e mais da metade dos millennials. O que está segurando os demais? Da mesma forma que acontece com as habilidades para IA, temem não ter a experiência ou habilidades necessárias para concorrer a uma vaga da Economia Verde.

A pesquisa indica que 56% das organizações afirmam oferecer treinamento abrangente em habilidades para seus funcionários. Ainda assim, 41% dizem não possuir as habilidades necessárias para empregos sustentáveis e mais de 50% afirmam não receber treinamento em Sustentabilidade no trabalho.

 

Brasil em busca do verde

No Brasil, o movimento é mais positivo. A taxa de contratação para empregos da Economia Verde foi de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025. Nesse período, a busca pelos chamados talentos verdes passou de 12,3% para 15,3%. Os setores que mais contrataram profissionais com credenciais verdes incluem Agricultura, Pecuária e Silvicultura (37,9%); Construção Civil (36,2%); Petróleo, Gás e Mineração (33,3%); Serviços Públicos (29,7%) e Manufatura (24,8%).

Já as habilidades verdes mais demandadas por empresas incluem mitigação de riscos, eficiência operacional, gestão integrada da cadeia de suprimentos, estratégia de sustentabilidade e impactos das mudanças climáticas. 

Os dados se alinham com a percepção dos jovens brasileiros ouvidos pelo relatório da Capgemini/UNICEF. Cerca de 66% acreditam que desenvolver habilidades verdes abre novas oportunidades de carreira e 68% têm interesse em desenvolver uma carreira na Economia Verde. Cerca de seis em cada dez jovens brasileiros dizem possuir competências ambientais para ter sucesso no mercado de trabalho.

 


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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