O Brasil já está nas nuvens - mas nem todo mundo sabe voar

26 de janeiro de 2026

por Redação The Shift

O Brasil já está nas nuvens - mas nem todo mundo sabe voar

Pelo menos 77% das empresas brasileiras utilizam algum tipo de serviço de nuvemÉ mais do que três em cada quatro companhias, sendo que 61% já usam a nuvem de forma plena, com 16% em fase inicial. Apenas 23% das companhias ainda não utilizam cloud, mas entre essas, 47% já estão avaliando soluções para implementação futura, de acordo com o “Panorama Cloud nas empresas brasileiras”, realizado pela TOTVS. O relatório aponta que há muito espaço para o crescimento da nuvem no país, principalmente entre pequenas e médias empresas (PMEs).

Quase metade das empresas brasileiras utiliza cloud privada, o que reforça a importância da soberania e conformidade de dados. Outro ponto que se destaca na pesquisa é a integração com IA e automação como o próximo diferencial competitivo. Ao olhar para o horizonte de longo prazo, a projeção é que a cloud vai se tornar o “ambiente natural de operação” da economia brasileira. Portanto, as empresas em fase de implantação ou que ainda não adotaram modelos híbridos e inteligentes vão ficar para trás.

Para o levantamento, foram ouvidos 391 profissionais de TI que participaram do evento Universo TOTVS 2025, realizado em junho, sendo que 50% ocupam cargos de alta ou média gestão. Na divisão por tamanho, 44% são grandes empresas (acima de 500 colaboradores), 42% são médias empresas e 14% são pequenas empresas.

 

Maturidade e autopercepção das empresas

Quando questionados sobre o nível de maturidade em nuvem, 69% dos entrevistados acreditam que o mercado brasileiro está em estágio intermediário, e apenas 23% o consideram avançado. Entretanto, quando avaliam suas próprias empresas, o quadro se inverte: 49% se classificam como avançadas.

Essa autopercepção otimista reflete o esforço das companhias em modernizar operações, mas também uma tendência a superestimar sua maturidade digital.

Esse descompasso é comum em mercados emergentes, em que as empresas focam em migração e não em transformação de processos.

 

O que está impedindo a migração para nuvem

Entre os 23% de empresas que ainda não utilizam soluções em nuvem, quase um terço (28%) planejam adotar a tecnologia nos próximos 12 meses e menos da metade (47%) projetam uma migração em até três anos. 

A principal barreira continua sendo o valor da implementação (54%). Somado à limitação de recursos (25%) e previsibilidade de custos (23%), surge um cenário em que falta uma estratégia de mudança e inovação para essas empresas. Talvez as limitações da liderança, a falta de “buy in” dos tomadores de decisão (31%) e de autonomia interna (28%) expliquem melhor o que está retardando o passo.

 

O que motiva a adoção: performance e flexibilidade

Entre os fatores que podem acelerar a adoção dos serviços de nuvem, existe uma divisão clara entre aspectos operacionais, técnicos e complementares e de recomendação. Entre os fatores que mais impulsionam a migração para a nuvem estão:

  • Melhoria no desempenho operacional – 41%
  • Redução da estrutura atual de custos – 40%
  • Ganho de flexibilidade e escalabilidade – 39%
  • Melhoria na segurança – 29%
  • Disponibilidade – 28%

Aspectos ligados à operacionalização e sustentação das soluções aparecem com menor impacto, como suporte técnico especializado (19%), foco no core business (15%) e regulamentação do setor (13%).

Embora os custos da migração para a nuvem representem a maior barreira para PMEs, existe uma percepção clara de valor associada à eficiência e inovação que acompanham a nuvem. Essa tendência é global: as empresas migram para a nuvem motivadas por agilidade e resiliência do negócio, de acordo com a Bain & Company.

 

Veja mais dados sobre adoção (ou não) de nuvem no Brasil.


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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