Sustentabilidade avança - só não faz barulho

07 de janeiro de 2026

por Redação The Shift

Sustentabilidade avança - só não faz barulho

Confirmando o que relatórios anteriores haviam apontado, as organizações estão avançando em Sustentabilidade – só não estão batendo bumbo. Entre 2022 e 2024, o número de empresas listadas em Bolsa que divulgam informações de sustentabilidade cresceu de 9.600 para 12.900. Elas representam 91% da capitalização do mercado global. O universo total considerado é de 44.152 empresas listadas mundialmente, que somam US$ 125 trilhões em valor de mercado. 

Em 2022, essa cobertura era de 86%, mostrando um avanço expressivo em apenas dois anos, de acordo com o estudo Global Corporate Sustainability Report 2025, recém-lançado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O relatório aponta que os setores mais transparentes são:

  • Energia (94%)
  • Tecnologia (94%)
  • Serviços financeiros (94%)

O setor imobiliário é o mais atrasado, com apenas 78% de divulgação, especialmente em relação às emissões de gases de efeito estufa (GEE). Olhando para o mapa, a região europeia lidera globalmente em transparência (98% da capitalização), seguida pela Ásia desenvolvida (94%) e Estados Unidos (93%).

 

 

Emissões: transparência em alta, mas lacunas persistem

Em 2024, 11.135 empresas (88% da capitalização global) divulgaram emissões de escopos 1 e 2, e 7.712 (76%) divulgaram pelo menos uma categoria de escopo 3

Entretanto, a cobertura de estimativas comerciais chega a 95% e 94% da capitalização global para escopos 1-2 e 3, respectivamente, sinal de que o mercado ainda depende de modelos estimativos em vez de dados reais.

O levantamento ressalta que, embora os modelos ajudem a preencher lacunas, não substituem o chamado “disclosure direto de alta qualidade”, pois podem mascarar inovações e eficiências específicas das empresas. Segundo dados da McKinsey, a transparência de escopo 3 continua sendo o “elo perdido” das metas climáticas: menos de 40% das empresas estabelecem metas públicas de redução.

Conselhos: sustentabilidade como questão estratégica

Entre 2022 e 2024, a governança climática avançou fortemente:

  • 70% das empresas (por capitalização) têm o conselho supervisionando questões climáticas, em comparação com 53% em 2022.
  • 67% vinculam a remuneração executiva a metas de sustentabilidade frente a 60% em 2022.
  • Dois terços dos conselhos possuem comitês dedicados ao tema.

Isso confirma a incorporação do ESG como fator financeiro e estratégico, não apenas reputacional. Relatórios da Deloitte e do WEF (2025) reforçam a tendência: 73% dos conselhos de empresas Fortune 500 discutem sustentabilidade em todas as reuniões trimestrais.

Setor de energia: transição e contradições

O setor energético representa 31% das emissões totais declaradas pelas empresas listadas.

Principais dados:

  • 94% de disclosure em sustentabilidade (maior taxa entre todos os setores);
  • 90% divulgam emissões de escopos 1 e 2;
  • Apenas 55% reportam escopo 3;
  • SOEs (empresas estatais) respondem por 32% das emissões do setor, mas subnotificam escopo 3.

Em termos de investimentos, o quadro é preocupante:

  • Entre 2015 e 2024, o fluxo de caixa operacional cresceu 32%;
  • Dividendos e recompra de ações triplicaram;
  • Investimentos (CapEx) cresceram menos de 5%.

Ou seja, há priorização de retorno a acionistas em detrimento da transição energética. Apenas 2,5% das empresas de energia reportam P&D ambiental, e 7% informam CapEx verde – com 43% desses investimentos voltados a ativos de baixo carbono. A OCDE sugere incentivos fiscais e políticas de precificação de carbono para alinhar os investimentos à neutralidade climática.

América Latina atrás em divulgação

A América Latina figura entre as regiões com menor nível de divulgação de informações de sustentabilidade corporativa no mundo. De acordo com o relatório,

em 2024, 82% da capitalização de mercado da região reportou algum tipo de informação de sustentabilidade. Esse percentual, embora inferior à média global de 91%, representa um avanço de aproximadamente 6 pontos percentuais desde 2022.

No que se refere às emissões de gases de efeito estufa, a região também mostra bons índices de reporte:

  • 87% da capitalização de mercado latino-americana divulga emissões de escopos 1 e 2 (operações diretas e consumo de energia);
  • 82% divulgam pelo menos uma categoria de escopo 3 (emissões indiretas na cadeia de valor).

No entanto, a OCDE ressalta que a qualidade e a profundidade dos dados ainda variam significativamente entre países e setores, e que há uma forte dependência de estimativas comerciais em vez de dados primários reportados pelas próprias companhias.

Entre as 100 maiores empresas emissoras de GEE no mundo, a participação estatal na América Latina chega a 47%, uma das maiores proporções globais, atrás apenas da China e de outros mercados emergentes asiáticos. Isso reflete o peso de empresas estatais de energia e mineração, particularmente no Brasil, México, Chile e Colômbia. 

Para saber mais, leia o artigo completo na The Shift.

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