IA não vai roubar seu trabalho - mas pode te ensinar a trabalhar melhor

15 de dezembro de 2025

por Redação The Shift

IA não vai roubar seu trabalho - mas pode te ensinar a trabalhar melhor

Ao invés de tratar a Inteligência Artificial (IA) como uma ameaça ou uma simples ferramenta, as organizações devem abraçá-la como uma oportunidade de repensar o trabalho e valorizar o que há de mais humano nas pessoas. A pesquisa “Workforce Intelligence”do MIT Sloan, liderada por Isabella Loaiza e Roberto Rigobon, parte da pergunta: “Quais capacidades humanas complementam as lacunas da IA?”.

A resposta está no modelo EPOCH, que agrupa cinco conjuntos de habilidades:

  • Empatia e Inteligência Emocional – Empathy
  • Presença, Rede e Conexão – Presence
  • Opinião, Julgamento e Ética – Opinion
  • Criatividade e Imaginação – Creativity
  • Esperança, Visão e Liderança – Hope 

Essas capacidades, que a IA não consegue reproduzir com autenticidade, são fundamentais para a resiliência das ocupações no futuro. Segundo o estudo, tarefas com alto escore EPOCH estão associadas a crescimento de emprego entre 2016 e 2024, enquanto aquelas com alto risco de automação sofreram quedas de ocupação.

A IA tem dificuldade com decisões baseadas em princípios e subjetividades que desafiam os dados disponíveis. Em vez de focar no que será eliminado, o modelo destaca o que deve ser protegido, valorizado e desenvolvido: as capacidades humanas que nos tornam únicos, mesmo em uma era de máquinas cada vez mais poderosas. A verdadeira vantagem competitiva das empresas no futuro não estará

apenas na sofisticação da IA, mas na capacidade de liberar o potencial humano.

 

Do hype à realidade: onde empresas estão errando

O relatórioAI Workforce: From Hype to Hard Truths”, da KPMG, mostra que grande parte das empresas ainda não colhe os benefícios prometidos pela IA, apesar dos investimentos elevados. As principais causas do fracasso são:

  • Falta de clareza sobre a propriedade da estratégia de IA.
  • Ausência de métricas claras de valor de negócio.
  • Adoção fragmentada e baseada em pilotos.
  • Desconexão entre ferramentas implementadas e transformação real do trabalho.
  • Treinamentos desacoplados de incentivos ou impacto visível para os trabalhadores.

Segundo o estudo, só 46% das pessoas confiam nos sistemas de IA globalmente, o que evidencia a importância de governança, transparência e comunicação aberta para adoção em larga escala.

 

IA amplifica capacidades e exige novo mindset

Tanto o estudo do MIT Sloan quanto o da KPMG destacam a necessidade de incluir os trabalhadores nas decisões sobre IA no trabalho desde o início. Envolver os profissionais na concepção, teste e implementação de soluções de IA não só aumenta a adoção, como também melhora a qualidade das soluções e reduz o impacto negativo sobre o bem-estar. “Trabalhadores sabem o que torna seus

empregos melhores ou piores. Deixá-los de fora do processo de desenvolvimento é deixar valor na mesa”, aponta Amanda Ballantyne, do MIT Stone Center.

A IA deve ser pensada como ferramenta de ampliação de capacidades humanas, não como substituta direta de funções. A professora Danielle Li recomenda que empresas:

  • Definam o que é sucesso com IA.
  • Invistam em infraestrutura de dados com exemplos claros do que significa “bom trabalho”.
  • Encontrem formas de compensar funcionários por compartilharem expertise que será usada para treinar sistemas (já que serão menos valorizados por seu conhecimento se tornar mainstream).

 

Lições para transformar hype da IA em impacto real

A KPMG sintetiza cinco grandes aprendizados do último ano:

  1. Estratégia sem dono não avança. É preciso atribuir responsabilidade clara e alinhar incentivos.
  2. Contar valor é tão importante quanto criá-lo. Medir o impacto desde o início é essencial.
  3. Transformação exige benefício visível para o trabalhador. Adoção depende de retorno percebido.
  4. Ferramentas não bastam: é preciso treinar, incentivar e acompanhar. A tecnologia só funciona se as pessoas usarem.
  5. Pilotos isolados não escalam: é preciso expandir com segurança e governança leve. E dar acesso amplo para que a melhoria se torne orgânica.

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Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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