Incerteza no radar. IA no orçamento

26 de novembro de 2025

por Redação The Shift

Incerteza no radar. IA no orçamento

A confiança dos CEOs na economia global caiu para 68%, o menor nível desde 2021, de acordo com o “Panorama Global de CEOs” da KPMG em 2025. Mas há otimismo com o próprio negócio e aposta dobrada em IA e talentos como motores de resiliência e crescimento. Bill Thomas, chairman global da KPMG, resume o espírito do momento: inovar com responsabilidade.

Em vez de congelar investimentos, lideranças corporativas reorganizam portfólio: IA para produtividade mensurável; talento para absorver a tecnologia; governança para manter controle. A sequência “dados > gente > guardrails” define a execução. Sem dados prontos, a Inteligência Artificial patina. Sem gente preparada, o rollout trava. Sem guardrails, o risco operacional cresce e o ROI não aparece.

 

 

O que muda na prática?

  • CapEx e OpEx de IA: 69% dos CEOs planejam alocar 10%-20% do orçamento em Inteligência Artificial nos próximos 12 meses. A expectativa de retorno encurtou para 1-3 anos em boa parte dos casos. Isso empurra as organizações a deixar de lado pilotos dispersos e montar plataformas e agentes reutilizáveis.
  • Gente antes de tecnologia: 92% pretendem aumentar headcount. A disputa é por perfis com competências de IA e por requalificação do time atual (tema citado por 77%). Pelo menos 70% já veem competição por talentos de IA como risco estratégico.
  • Liderança para um cenário instável: com a confiança global mais baixa, cresce a importância de decisão rápida, gestão de risco e observabilidade do que a IA está fazendo em produção (dados usados, alçadas de decisão, trilhas de auditoria). Entre os principais desafios citados estão cibercrime/insegurança cibernética (79%) e integração da IA aos processos (75%).
  • ESG com métricas: 61% dizem estar no rumo de net zero até 2030 (acima de 51% em 2024). O movimento sai do discurso e entra no dado: medições de emissões, eficiência de recursos e automação de reporte.

Apesar das pressões, há uma clara oportunidade para as organizações eficientes em gestão de riscos, enquanto impulsionam o crescimento, a prosperidade e as práticas de negócios sustentáveis. Não por acaso, 61% das lideranças ouvidas projetam aumento de lucros em três anos. Além disso, 89% preveem atividade de M&A, usando aquisições táticas para completar stack e competências. É um cenário empolgante, mas exigente – em que a liderança adaptativa determinará o sucesso duradouro. 

Para onde olhar nos próximos 12 meses?

  1. Casos que pagam a conta. Atendimento, Operações, Dev e Finanças concentram ganhos rápidos. Métrica central: custo por transação/processo antes vs. depois. Expectativa: indicadores públicos de produtividade por agente devem surgir e virar referência de mercado. 
     
  2. Do piloto ao produto.Pilotos isolados cedem lugar a plataformas: gestão de prompts, reuso de agentes, catálogo de dados, observabilidade e segurança. Onde falta bloco crítico, M&A tático preenche stack e competências. 
     
  3. Redesenho do trabalho.Crescimento de headcount não contraria anúncios de cortes setoriais. O movimento é recomposição: extinguir tarefas, criar papéis habilitados por IA, requalificar gente de alto potencial e contratar cirurgicamente para lacunas. 
     
  4. Regulação como design constraint.Regras de IA e sustentabilidade entram como requisito de projeto, não checklist final. Quem automatiza controles e trilhas de auditoria desde o início transforma compliance em vantagem de execução. Na governança de IA, três linhas de controle aparecem com força: ética/uso responsável, prontidão/qualidade de dados e aderência regulatória.

Em resumo, o panorama atual pede capacidade de execução: escolher onde a IA entra, medir, ajustar; formar times que sustentem a curva de aprendizado; e construir controles que permitam escalar sem perder o rumo. É assim que os CEOs estão tentando transformar um ano de incerteza em vantagem competitiva.

O estudo ouviu 1.350 CEOs em 11 mercados e 12 setores, entre 5 de agosto e 10 de setembro de 2025.

 


 

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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