Pensar como um investidor de risco… mesmo sem um tostão de Venture Capital?

23 de julho de 2025

por Redação The Shift

Pensar como um investidor de risco… mesmo sem um tostão de Venture Capital?

A inovação disruptiva não tem fronteiras, e não deveria ficar limitada a fundos de Venture Capital e a empresas financiadas por eles. Para o economista financeiro Ilya Strebulaev, professor da Stanford Graduate School of Business desde 2004, entender negócios em cenários turbulentos é uma tarefa de vida. Há mais de 20 anos, Strebulaev se dedica a dissecar o modelo mental dos investidores de risco (VCs) e seus impactos na economia.

 

Como efeito colateral do seu trabalho, o professor reuniu uma gigantesca base viva de conhecimento e pesquisa contínua sobre startups, unicórnios e VCs – a Stanford GSB Venture Capital Initiative. No ano passado, Strebulaev e o consultor de estratégia digital Alex Dang extraíram da mentalidade de risco nove lições práticas de condução de negócios em cenários em que inovar é vital para se manter sustentável: o livro The Venture Mindset: How to Make Smarter Bets and Achieve Extraordinary Growth”.

 

A ideia central do livro é que a mentalidade de risco é necessária para a prosperidade de qualquer tipo de negócio. Uma visão que, para lideranças conservadoras e conselhos administrativos, pode parecer contraintuitiva.

 

“A mentalidade de risco é um novo modelo mental em que o fracasso é essencial, a due dilligence é colocada de cabeça para baixo, a dissidência é incentivada, ideias são rejeitadas aos montes em busca de um único vencedor, projetos são desligados e os horizontes de tempo são estendidos.”

 

The Venture Mindset é leitura necessária, se você está buscando caminhos para manter-se (ou sua empresa) relevante quando a ruptura é a única constante. Pode ser que discorde de algum dos nove princípios que listamos abaixo, mas convidamos a parar e refletir a respeito.

 

  1. Sucesso importa, mesmo com erros: preocupe-se com o risco de perder o próximo sucesso. Nem toda decisão será uma vitória, mas “o objetivo não é ganhar sempre. O objetivo é não perder a oportunidade de ganhar muito pelo menos uma vez”. De todo modo, enxugue seu portfólio de ideias: “Muitas ideias podem distrair e desorientar a gestão.” 
     
  2. Saia das quatro paredes: considere o que está acontecendo fora da sua organização. Em ambientes incertos, a curiosidade é sua melhor amiga. “Essa incapacidade de buscar negócios fora das quatro paredes, e de fazê-lo rapidamente, é um dos principais motivos pelos quais a inovação é sufocada em tantas empresas.” 
     
  3. Pergunte Por que não: “Os VCs reduzem a complexidade da seleção buscando um motivo decisivo para rejeitar uma oportunidade, em vez de avançar para a próxima fase de análise.” Quando você treina sua mente dessa forma, você se prepara para reconhecer padrões de sucesso e fracasso. Mas isso exige distanciamento e visão de contexto. 
     
  4. Diga Não 100 vezes: mas diga de caso pensado. Considere muitas ideias, mas passe cada uma delas por um funil. A maioria ficará na primeira etapa. Conselho dos autores: “Para evitar limões, avalie mais carros! Expanda sua ideia e seja disciplinado sobre como você a analisa, usando critérios diferentes em cada etapa.” 
     
  5. Aposte no jóquei, não no cavalo: a equipe é fundamental. O elemento humano importa. “VCs não hesitam em continuar apostando nos fundadores se determinarem que o fracasso não foi por causa deles”. A execução importa. “Ideias são muito caras; a execução da ideia faz toda a diferença.” Coloque as melhores pessoas em projetos de inovação. 
     
  6. Concorde em discordar: busque a discordância. Substitua a necessidade de estar certo pela satisfação de descobrir a verdade. O consenso muitas vezes é resultado de vieses ou de acomodação. “VCs não buscam consenso. Eles adoram discutir, lutar por sua visão de futuro, ouvir atentamente o outro lado da mesa e trocar ideias.” 
     
  7. Dobrar a aposta ou desistir: “Para vencer a longo prazo, você precisa ser flexível para mudar de ideia sempre que coletar mais informações.” A teimosia é péssima conselheira, não se apegue às suas decisões e aproveite visões imparciais sobre um problema. 
     
  8. Aumente o tamanho do bolo: “A mentalidade de risco resolve o problema do principal-agente, tornando todos acionistas. Em vez de buscar maneiras de obter uma fatia maior do bolo, todos estão ocupados aumentando o bolo.” 
     
  9. Grandes coisas levam tempo: As mudanças que estão por vir não ocorrerão em um único ciclo orçamentário. “Paciência e pensamento de longo prazo libertam a mente de limitações desnecessárias e nos levam a pensar no que pode acontecer com o mundo em cinco, dez ou quinze anos. Nos forçam a olhar além das rotinas do dia a dia.”
     

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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