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Marco Civil da Internet completa 10 anos ainda sob ataques e questionamentos

23 de abril de 2024

por Luís Osvaldo Grossmann

Marco Civil da Internet completa 10 anos ainda sob ataques e questionamentos
Há exatos 10 anos, a então presidente Dilma Rousseff aproveitou um encontro global realizado no Brasil para rediscutir a governança da internet, na esteira das denúncias de espionagem indiscriminada pelos Estados Unidos, para sancionar o Marco Civil da Internet. A Lei 12.965/14 vinha sendo discutida desde 2009, na maior construção de uma proposta legal a partir do debate público que o país já viu.  Foram quase três anos para que o projeto virasse Lei, desde que o governo federal encaminhou uma proposta construída a partir de consulta pública organizada pelo Ministério da Justiça. E os temas que mais provocaram resistências na época são exatamente os alvos de hoje, quando os provedores de infraestrutura continuam reclamando da neutralidade de rede e parlamentares e juízes discutem de quem é a responsabilidade por conteúdos online.  Para o pai da internet no Brasil, diretor presidente do NIC.br e membro por notório saber do Comitê Gestor da Internet, Demi Getschko, o adversários do Marco Civil resvalam em confusões semânticas. E a principal delas é confundir a internet, sendo ela o conjunto de protocolos técnicos que viabilizam a comunicação entre redes, com serviços e aplicações que rodam sobre essa rede.  “O Marco Civil é filho do Decálogo do Comitê Gestor da Internet. E se olharmos para esse pai da história, o Decálogo, acho que continua válido em todos os seus itens, porque ele é algo principiológico, é algo de conceitos”, afirma o primeiro responsável por uma conexão internet no Brasil, em 1991.  Dois pontos do Decálogo ganharam destaque no Marco Civil: a neutralidade e a inimputabilidade da rede. E como alerta Demi Getschko, os problemas se dão quando esses itens são confundidos como neutralidade e inimputabilidade das aplicações que se valem da internet.  “Quando se fala que o intermediário de transporte e de acesso é imune, eu acredito que isso continua valendo, desde que você defina o que significa intermediário de transporte e de acesso. A coisa não mudou para, de repente, o intermediário ser culpado porque ele entregou. Ninguém culpa o carteiro se ele entrega uma carta falsa. Se você recebe um telefonema te xingando, não acha que a culpa é da telefônica”, afirma Demi nesta entrevista à Convergência Digital.  “O problema é que existem outras personagens. Na hora que você tem um algoritmo que me entrega coisas, não é mais o meu interlocutor que está me entregando coisas, mas o algoritmo. O algoritmo não é mais intermediário, ele não está imune, ele é agora o interlocutor. Portanto é preciso ler adequadamente a semântica.” Essa mistura de conceitos alimenta duas ações que correm no Supremo Tribunal Federal para discutir o artigo 19 do Marco Civil, justamente o que trata da responsabilidade pelos conteúdos postados na rede. Daí o alerta para que essa discussão seja capaz de separar a internet das aplicações.  Já a neutralidade de rede é repetidamente apontada como barreira à “monetização” da infraestrutura por parte das empresas de telecomunicações. Hoje, como há 10 anos atrás, as operadoras reclamam que plataformas digitais ganham dinheiro explorando as redes de telecom, sem que elas tenham direito a cobrar um pedágio ou fazer acordos para o custeio da infraestrutura. A questão de fundo é a mesma, mas ganhou maior tração diante da concentração do tráfego em um punhado de provedores de aplicações.   “A internet foi feita de forma agnóstica. Os protocolos que existem, de correio eletrônico, BGP, HTTP, etc, não entram no mérito do que estão carregando, apenas carregam baseado em origem e destino. Tem que entrar o pacote em tal lugar, sem entrar no mérito se é um pacote importante ou não. Se você permitir que isso comece a ser questionado caso a caso, vai ter gente que vai privilegiar os pacotes do seu grupo, os pacotes do seu time, isso não é uma ideia que estava na origem da internet”, afirma Demi.  “Neutralidade não é o clube de vegetarianos que não permite que você coma picanha. Isso obviamente é não neutro, mas não é para ser neutro, isso é um clube específico, você vai lá porque você tem um determinado gosto. Agora, a rua que te leva até o clube de vegetarianos tem que ser neutra. Ela pode te levar até lá e você não vai entrar porque você come picanha, chegou até a porta do vegetariano e não entrou. Então, a discussão sobre neutralidade precisa ver em que contexto isso serve. Isso serve nos pacotes, na camada de protocolos da internet. Isso não serve nos aplicativos. Os aplicativos não são neutros.”

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    13 de setembro de 2023 | Redação da Abranet

    O Banco Central (BC) informou que, em 50 dias de projeto piloto, 500 transações foram bem sucedidas no Drex, a moeda digital brasileira, e 11 instituições operam na rede. Segundo a autoridade monetária, os participantes do programa começaram a ser incorporados à plataforma no fim de julho. De lá para cá, vários tipos de operações têm sido simuladas, tanto no atacado quanto no varejo, disse o BC. De acordo com a autarquia, a primeira emissão de títulos públicos federais na plataforma Drex para fins de simulação foi realizada nessa segunda-feira (11). Cada um dos participantes já habilitados recebeu uma cota da versão para simulação dos títulos públicos e, a partir de então, podem iniciar também a simulação de procedimentos de compra e venda desses títulos entre eles e entres clientes simulados, afirmou. Vários tipos de operações têm sido simuladas tanto no atacado quanto no varejo – como criação de carteiras, emissão e destruição de Drex e transferências simuladas entre bancos e entre clientes. Todos os participantes conectados já realizaram ao menos alguns desses tipos de transações, sendo que cerca de 500 operações foram conduzidas com sucesso. A primeira fase do piloto deve ser encerrada no meio de 2024, com o desenvolvimento ainda de outras facilidades na fase seguinte. A cada semana, um tipo novo de operação é realizado pelas instituições participantes. Todas essas transações são apenas simuladas e se destinam ao teste de infraestrutura básica do Drex, que ainda não conta com a soluções de proteção à privacidade que serão testadas ao longo do Piloto Drex, ressaltou o BC.

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    04 de setembro de 2024 | Da Redação Abranet

    O Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central publicou nesta quarta, 4/9, uma nova instrução normativa que trata de diferentes aspectos da adesão ao Pix, além de prever a oferta de produtos e serviços adicionais ou facultativos. A norma trata de como os interessados, tenham já ou não autorização do BC para operar, devem fazer para aderirem ao sistema de pagamento instantâneo, as diversas etapas do processo e exigências para a formalização, como o projeto de experiencia do usuário, uso de QR Codes, etc. A autoridade monetária também trata de como instituições autorizadas a funcionar podem oferecer serviços adicionais, se habilitar ao Diretório de Identificadores de Contas Transacionais – DICT, ou serviços de iniciação de pagamentos, saque, por exemplo. Prevê, ainda, que uma instituição já participante do Pix, ou em processo de adesão, poderá apresentar, a qualquer tempo, pedido para ofertar ou consumir funcionalidades, de natureza facultativa, relacionadas ao Pix Automático. Além disso, a IN 511 traz um cronograma relacionado aos testes do Pix Automático: I – instituições que concluíram a etapa homologatória do processo de adesão ao Pix antes de 28 de abril de 2025, inclusive instituições participantes em operação, devem realizar com sucesso os testes entre 28 de abril de 2025 e 6 de junho de 2025; II – instituições que concluíram a etapa homologatória do processo de adesão ao Pix entre 28 de abril de 2025 e 6 de junho de 2025 devem realizar com sucesso os testes no prazo de oito semanas contadas a partir da conclusão com sucesso da etapa homologatória pertinente; III – instituições que não concluírem a etapa homologatória do processo de adesão ao Pix até 6 de junho de 2025 devem concluir os testes do Pix Automático dentro do prazo determinado para a conclusão com sucesso dessa etapa; e IV – instituições participantes em operação que ofertem conta apenas a usuários pessoa jurídica e optem por não ofertar pagamentos via Pix Automático devem encaminhar formulário cadastral indicando dispensa da oferta de Pix Automático até 4 de abril de 2025. Instituições participantes do Pix que estejam obrigadas a ofertar serviços do Pix Automático ou que, de forma facultativa, enviem até 4 de abril de 2025 formulário de atualização cadastral indicando a intenção de oferta de serviços do Pix Automático, devem cumprir os testes entre 28 de abril de 2025 e 6 de junho de 2025.

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    15 de julho de 2014 | Roberta Prescott

    Passado o evento NetMundial, agora representantes de grupos setoriais trabalham juntos para formar comitê que vai elaborar uma proposta para nortear a migração dos trabalhos da Iana, sigla em inglês para Autoridade para Designação de Números da Internet, para, ao que tudo indica, uma entidade multissetorial.; A IANA é um departamento da ICANN (em português, Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números), cujo controle, até agora, é exercido pela NTIA, agência dos EUA responsável por aconselhar o presidente nos assuntos envolvendo políticas de telecomunicações e de informação.; O atual contrato do governo dos Estados Unidos com a ICANN para gerenciar as funções técnicas de DNS expira em 30 de setembro de 2015, podendo ser estendido por até quatro anos, se a comunidade precisar de mais tempo para desenvolver a proposta de transição. Desde que os Estados Unidos anunciaram sua saída, entidades do mundo todo vêm se organizando para debater como será a feita a transição e quem ficará na coordenação.; Durante o NetMundial, realizado entre 23 e 24 de abril, em São Paulo, o governo dos Estados Unidos se opôs a um modelo multilateral, apontando, entre as condicionantes para a transição, que apoiam o modelo multissetorial (multistakeholder). Os EUA também deixaram claro que não vão aceitar uma proposta de transição que substitua o papel NTIA com uma solução conduzida por algum governo ou uma solução intergovernamental.; O NetMundial foi aclamado por seus participantes por indicar uma série de princípios que devem reger a internet, como a neutralidade de rede, a liberdade de expressão e o direito de acesso. A consolidação destes princípios foi o grande legado, como explicou para a Abranet Vanda Scartezini, representante para a América Latina da ONG PIR. ; ; Cada um dos grupos dos stakeholders, líderes dos principais setores da cada sociedade interessados no tema, elege os participantes que integrarão o comitê, sempre visando ao caráter técnico e não político. No total, cerca de 30 pessoas integrarão o comitê de trabalho cujo objetivo é apresentar uma proposta do que poderia substituir o controle que hoje é da NTIA. Dois brasileiros fazem parte deste comitê: Demi Getschko, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e Hartmut Richard Glaser, secretário-executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br.; A expectativa, explica Vanda Scartezini, é ter alguma proposta no próximo encontro da ICANN, em outubro em Los Angeles. Despois disto, as ideias vão para consulta pública, quando recebem críticas e sugestões, que são compiladas e analisadas. “Esta é a primeira fase de trabalhos. Como é um grupo grande, imagino que eles devam se dividir em subgrupos”, comenta. ; ;

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